Guia Itaúnas

Angelim - Viagem no tempo 


Zirinha: carinho com os vizitantes


Dentina e a prensa esculpida por seu pai

Itaúnas ficou famosa por suas Dunas, suas praias e a tradição do forró e Ticumbi. A pequena vila de pescadores, no entanto, guarda segredos reservados apenas àqueles que se aventuram pela floresta de eucaliptos até as comunidades remanescentes de quilombo, onde o tempo parece não passar.
Angelim é nome de árvore, de madeira nobre, do principal afluente à direita do Rio Itaúnas e, mais do que tudo, é nome dado à comunidade tradicional que, ainda hoje, labuta com o aipim da mesma forma que faziam os primeiros colonizadores, inovando o modo indígena de produzir farinha.
"Meu pai nasceu aqui. Depois mudou para o sertão do Itaúnas, onde conheceu minha mãe. Os dois voltaram para cá há 55 anos e já tinha vizinhos", conta Claudentina Trindade Alves, a Dentina, responsável por boa parte das guloseimas que brotam do tacho na Farinheira do Angelim.
Quando o forno acende para receber a massa do aipim, Dentina e sua irmã Zirinha (Auzerina Batista) abrem o leque de receitas aprendidas ali mesmo na roça para derramar beijus, farinha de coco, pamonha enrolada na palha da bananeira, bolo de aipim e outras gostosuras nascidas da mandioca.
A "fábrica", toda ela construída de modo artesanal, constitui-se de um ralo (único equipamento elétrico no processo, um luxo conquistado há pouco mais de dois anos), um tacho aquecido à lenha e uma prensa esculpida em grandes toras de madeira.
Depois de descascado, o aipim que chega à casa de farinha é ralado e lavado. A massa daí resultante vai para a prensa para perder água. Já seca, ela vai para o tacho virar farinha, um ingrediente fundamental para o pirão de peixe - coadjuvante de primeira linha na moqueca de robalo, o principal prato da culinária capixaba.



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