Guia Itaúnas

Rumos da tradição



As canoas envelhecem sem reposição


Bateras: novidade no mar de Itaúnas

Quem não se emociona ao presenciar a valentia dos canoeiros itaunenses na rotina diária de enfrentar o mar, em suas minúsculas embarcações esculpidas na madeira? Se não há vento sul, a cena repete-se todas as manhãs há vários séculos. Mas a tradição sofreu alterações nos últimos anos devido à falta de matéria-prima para construir canoas.
"Hoje, aqui no caminho dos pescadores, existem somente seis canoas", calcula Paulo Jacó. As demais embarcações são bateras que, diferente da canoa esculpida em um único tronco,  são feitas com tábuas de madeira beneficiada.
Quando a madeira era farta na região, Antônio Jacó (pai de Paulo), Manoel Nogueira, Manoelino e Nelson entalhavam a enxó as timboíbas, jueranas, gameleiras, goiticicas e barrigas-d'água aqui mesmo em Itaúnas. "Cada árvore dava duas embarcações", lembra Paulo Jacó, afirmando que hoje, canoa nova só se pode comprar em Cruzeiro, Nova Brasília ou Mucuri, na Bahia.
As bateras substituem aos poucos as canoas que vão se acabando. Manoelzinho, que sempre pescou só e embarcado em canoa, agora pesca em dupla, usando uma batera. "A pescaria é a mesma", comenta, ressaltando que a canoa é mais tradicional. Marceneiro mais antigo na Vila, seu Gilbertinho fabrica as bateras sob encomenda. Ele usa goiticica, vinhático e cedro, mas mesmo as tábuas estão ficando escassas.
Paulo Jacó diz que não se encontra com as bateras, por serem mais difíceis de navegar. "Acho que é o costume", argumenta. Ele força a memória e afirma que as canoas mais novas da praia têm cerca de 15 anos de uso. "As mais antigas têm prá mais de 30 anos. Quem fez estas não faz mais, não senhor" - declara.


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