Guia Itaúnas



Alicerces da antiga Igreja: vestígios do passado

Sob um mar de areia


Nos anos trinta do século passado a Vila de Itaúnas despontava como próspero núcleo urbano, servindo de entreposto comercial à farinha, naquela época um produto de exportação bastante valorizado. Nascida nos primórdios da colonização portuguesa, em terras já antes
 habitadas por tupinambás, a povoação recebeu influência cultural e étnica de negros fugidos, habitantes das dezenas de quilombos esparramados pelo Sapê do Norte.
A pesca e a caça facilitadas pela abundância do alagado do Rio Itaúnas criaram a tradição cultural canoeira, enquanto a devoção cristã cristalizou-se no Ticumbi, nas rodas de Jongo e no Alardo.

Foi na década seguinte, em meados dos anos 40 do século XX, que o destino de Itaúnas mudou seu curso.

Não se sabe se por maldição de um padre mais dado ao vinho que à fé, pela disputa entre São Sebastião e São Brás para ver quem seria o padroeiro do lugar, por obra de um bicho cavador que removeu a areia das profundezas para a superfície ou, como afirmam os estudiosos, devido ao desmatamento da restinga que continha o vento. Certo é que as areias iniciaram seu movimento e foram invadindo tudo, soterrando as casas, e espantando o povo do lugar.
Trinta anos de agonia e sofrimento. Pessoas viram suas casas serem lentamente tragadas por dunas móveis - montanhas de areia andeja com até 40 metros de altura. Houve tempo para retirarem telhas, louças e coisas outras. Muitos partiram para longe, levando consigo as memórias. Quem ficou ajudou na construção da Itaúnas de hoje, edificada na margem direita do rio. Gente como Tidu, Tia Aninha, Dodozinho, Benedito Maia, Dona Dorota e Seu Osmar, Seu Graciolino, Zé Soares e dona Clara, entre tantos outros, contam com pesar o drama vivido em conjunto.
Os últimos moradores deixaram a Vila na década de 70. Apenas Seu Tamandaré permanece do outro lado, sob a eterna ameaça das Dunas.









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Itaúnas Antiga


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