Guia Itaúnas

Dinossauros na Meca do Forró


Coroné: impossível não se apaixonar por seu carisma


No palco, só tradição para os forrozeiros

Ninguém neste mundo tem mais histórias sobre forró para contar do que este sorridente "Coroné", que manda bem na zabumba há 40 anos. Remanescente da formação original do Trio Nordestino, ele mantém o compromisso firmado com os companheiros que já se foram de carregar esta bandeira. "Quando o trio foi fundado, em 05 de maio de 1958, em Salvador (BA), nós fizemos um pacto: Quando Deus levasse um dos componentes, quem ficasse continuava o trabalho do Trio Nordestino", relembra o músico. 
Da formação atual, heranças de Lindú, na voz do filho Luiz Mário, trianguista também, e de  Beto, o sanfoneiro, dono de laços afetivos com o ex-integrante, que o tomou por afilhado. Esta nova união formou-se em 1994, quando Cobrinha partiu. Com a tradição mantida, o projeto do grupo prevê vôos ousados para este ano, com o lançamento de mais um CD, o 44º da carreira do Nordestino, com uma coletânea do que há de melhor no repertório histórico. O lançamento está previsto para abril, com turnê pelo Brasil afora, com ênfase ao Nordeste no mês de junho, quando o forró na região pega fogo.
Coroné refaz a trajetória do Trio Nordestino, dizendo do momento especial, no ano de 1970, quando gravaram 'Procurando tu'. "Naquela época era difícil vender um milhão de cópias e nós alcançamos com este disco", ressalta. O zabumbeiro fala de um tempo em que o forró não tinha a penetração de hoje. Onde a velocidade da mídia era outra, mas os bons ventos já sopravam. "Disse o próprio Gonzaga: No ano de 2002, o forró pé-de-serra vai tomar conta do Brasil. Ele não era Nostradamus, mas eu vi isso acontecer realmente", relata.
Para Coroné, a alavancada do ritmo aconteceu nos últimos cinco anos, partindo do Rio, de São Paulo e, é óbvio, de Itaúnas também. "Isso para todos os forrozeiros foi uma dádiva de Deus. O brasileiro descobriu que gosta de forró. Hoje se vê a juventude aderindo ao forró", diz. Sem necessidade de modéstia, ele fala do carinho dos fãs, que reconhecem o valor do trabalho do Trio Nordestino. E para nós que amamos sua música, é uma honra muito grande dançar ao som destes gigantes. 


Anterior