Guia Itaúnas


Forró na veia (2)


O empresário, músico e compositor Paulo Matos (o Paulão) tem um jeito próprio de ver a história recente do forró pé-de-serra: pelo lado de dentro. Segundo ele, tudo começou na Universidade de São Paulo (USP), mais precisamente nos churrascos da Geografia. O perfil intelectual dos dançarinos de então garantia a qualidade da música tocada. "80 por cento do pessoal fazia leitura de forró", comenta.
Na década de 70, a onda era o Maranhão. A Vila ganhou destaque pela posição privilegiada. "Itaúnas é a Globo do forró", define Paulão, baseando-se no fato de que quem toca aqui toca para o Brasil inteiro. Itaúnas reúne, nas temporadas, formadores de opinião de São Paulo, Rio, BH e Salvador, por estar eqüidistante destes centros.
A Vila também serviu de inspiração para a abertura do Projeto Equilíbrio, uma casa de shows perto da USP no mesmo estilo das casas locais. "Ai a coisa subiu e o forró voltou a ganhar projeção nacional", analisa. Para os arautos da decadência, Paulão lembra que tipos como Dió de Araújo e Enoque Virgulino nunca vão entrar na mídia, mas sempre agradarão aos que gostam de boa música. "Na mídia só tem espaço para os loiros de olhos azuis", dispara.


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