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Papéis e fitas são a
matéria-prima desta arte

Durante o ano, o colorido enfeita a parede da casa
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Folhas
de seda ou papel laminado - o importante é que seja tudo muito colorido.
A partir destes elementos, as mãos habilidosas de Tempero (Argemiro Gomes
da Conceição) ou de Wantuil, confeccionam os chapéus utilizados por
congos e Reis das Brincadeiras de Ticumbi. Para a nobreza, é claro que
são destinados os brilhos dos metais e o adorno de espelhos, símbolos da
riqueza e do poder que exercem as majestades de Congo e de Bamba, bem como
seus secretários. E com os mesmos materiais os donos da arte da
'chapelaria' produzem ainda o "peito" - proteção pendurada no
pescoço, com a função de escudo. "Faço o peito tipo um coração,
para ficar bonito", descreve Tempero, que é Rei de Bamba no Ticumbi
de Itaúnas.
Para os congos, que dão ritmo à brincadeira com seus pandeiros
enfeitados de fitas de cetim coloridas, os artesãos preparam uma coroa
larga adornada por flores de papel de seda e pelas fitas utilizadas
também nos instrumentos. Cada grupo folclórico de Ticumbi tem, no
mínimo, cinco pares de congos que usam a coroa por cima de um lenço
branco, por isso a demanda por confeccionadores de chapéus não é
pequena. "Já ensinei um bocado de menina nesta Vila, mas só quem
leva de capricho é minha filha", diz Tempero.
Angelina, de 19 anos, tomou gosto pela arte do pai e passa horas a enrolar
pedacinhos de papel laminado para formar as coroas dos reis e seus peitos.
Com sua ajuda, Tempero e Wantuil preparam a magia colorida das festas dos
três grupos - Ticumbi de Itaúnas, do mestre João Quemode; do Bongado,
do mestre Caboquinho, e de Conceição da Barra, do mestre Terto.
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