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Anzol de osso e adorno de dente de paca
Utensílios de pedra lascada e pedra polida

Alba Valéria coordena o projeto
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As relíquias do passado continuam
brotando nas areias de Itaúnas, trazidas à tona pela equipe do Projeto
Histórico Cultural e por moradores que, em passeios por sobre as dunas,
encontram velhos pertences dos antigos habitantes da região. Nem tudo o
que é encontrado vai para a exposição permanente montada na sede do
Parque Estadual de Itaúnas. Algumas peças, como um lançador de
morteiros recuperado por Saulo Lhamas, ainda espera avaliação dos
arqueólogos para que se decida sobre seu destino.
A peça de artilharia, segundo informações coletadas pela coordenadora
do projeto, Alba Valéria Freitas Dutra, é um de dois artefatos
utilizados pelos devotos católicos durante os festejos de São Benedito e
São Sebastião na igreja da Itaúnas Antiga. "Eles enchiam o cano de
ferro com pólvora, vedavam com barro e disparavam fogos de artifício
para receber os congos", explica. Vale lembrar que nada deve ser
retirado do sítio arqueológico pelo turista. Ao encontrar um peça, o
visitante de informar imediatamente o Parque Estadual de Itaúnas, que
tomará as medidas cabíveis. Esta quinzena um dos guias do Parque
encontrou a ossada completa de um esqueleto humano, cuja data ainda não
foi precisada, mas tudo leva a crer seja de um morador da vila antiga.
Devidamente cadastrado e documentado, o esqueleto permanece no local onde
foi encontrado.
Datação também é o que falta para as peças expostas na sede do
Parque. Segundo a arqueóloga Irmhild Wüst, os artefatos mais
antigos situam-se na casa dos 300 e 500 anos antes de Cristo e, na
coleção, estão representados por utensílios de pedra polida ou
lascada, como machadinhas e bigornas, ou anzóis e pingentes de osso.
Chama a atenção dos pesquisadores o fato de não haver nas áreas
próximas aos sítios arqueológicos de Itaúnas a ocorrência de rochas
do tipo utilizado pelos moradores ancestrais. Comuns na praia de Costa
Dourada, os quartzos lascados pelas populações pré-colombianas podem
ter sido trazidos de longe, desde o Riacho Doce, hoje divisa Espirito
Santo/Bahia, até as aldeias e acampamentos dispostos à margem do rio
Itaúnas e região das dunas.
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