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Mestre Wantuil resgata sons do Jongo
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Casaca, tambor e cestinha. A trinca de
percussão retumba forte fazendo marcação para a cantiga nas rodas de
jongo. Repartida em quadras metricamente variadas, a canção é modulada
na voz dos puxadores e recebe do círculo vivo a resposta cantada e rodada
em um compasso harmonizado ao universo.
Na ânsia de manter viva a tradição, Wantuil Gomes, mestre do Ticumbi do
Bongado e um dos maiores defensores dos costumes antigos ligados à
devoção a São Benedito, constrói instrumentos e eterniza versos
aprendidos com os mais velhos. "Eu
vi, eu vi
Eu vi vapor no mar
Atirei mas não matei
Vi a bala clarear"
Wantuil lembra com carinho a relação intrínseca que sempre houve entre
as rodas de jongo e os bailes de congo. "Na tradição de São
Benedito sempre teve o jongo e, antes, todo ensaio do Ticumbi enchia de
gente, parecia festa. E terminava em roda de jongo", salienta. Nos
tambores do mestre, cavados em madeira nativa ou refeitos de tábuas
beneficiadas, resgata-se o trabalho de Mané Vito, a quem coube por
várias décadas cuidar das rodas em louvor ao santo negro.
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