Guia Itaúnas

Sabor Capixaba


Feita na hora para garantir o sabor


Tereza: nada de leite de coco ou dendê 

Sem risco de cometer exageros, pode-se afirmar que a moqueca é o principal traço da cultura espiritossantense. O prato tem variações por todo o litoral brasileiro, mas o poeta maior, Hermógenes Lima Fonseca, deixou cunhada esta máxima: "Moqueca é capixaba. O resto é peixada", dando a exata dimensão do que representa o guisado de peixe, refogado em panela de barro, para o povo do Espírito Santo.
A proximidade de Itaúnas com o vizinho Estado baiano, ao contrário de corromper a tradição, fez reforçar na Vila o gosto pelo jeito capixaba de moquecar o peixe. "Aqui nós não usamos nem leite de coco, nem dendê. Eu tenho no restaurante para caso alguém peça" - explica Maria Tereza Bonelá dos Santos, proprietária de um dos mais concorridos restaurantes de Itaúnas.
A aparente simplicidade do prato, feito com tomate, cebola e tempero verde nem de longe significa perda de sabor. Ao contrário, os dois fatores parecem ser inversamente proporcionais: quanto mais simples mais deliciosa a moqueca. Tereza afirma que o segredo está no frescor garantido pelo preparo artesanal. "Nós fazemos cada prato na hora. Depois que o cliente pede é que nós vamos cortar o tempero e por a moqueca dele no fogo. Eu posso fazer até 12 moquecas de cada vez, mas cada uma é uma moqueca individual, feita separadamente para aquele cliente" - explica.
Cada região do Espírito Santo tem seus peixes indicados para o preparo da moqueca. Em Itaúnas, o robalo é imbatível. Seu sabor acentuado e a facilidade que a carne macia tem para absorver temperos garantem ao escamado o topo da lista dos preferidos. Na seqüência aparece o cação, cuja carne firme de peixe de couro caiu como uma luva na panela de barro, onde ferve no molho de tomates frescos até virar moqueca. A delícia tem aroma, aparência e sabor de dar água na boca.
Tem quem faça moqueca de pescada, de camarão VG ou ao molho de camarão para vender. Na cozinha dos nativos, no entanto, quase todo peixe serve para moquecar e, no dia-a-dia,  o prato tem lugar garantido como arroz e feijão no restante do País.



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