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Embarcados em canoas, eles saem atrás do peixe
No Verão, a fartura é quase sempre garantida
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Não fossem suficientes todos os atrativos naturais
encontrados em Itaúnas e seu entorno, a riqueza cultural dá o tom
diferencial nesta terra de gente boa. Aqui, segundo levantamentos do
ex-gerente do Parque Estadual de Itaúnas, Anderson Vaccari S. Lanuce, é
um dos últimos redutos de pescadores artesanais embarcados em canoas do
Brasil. "Da foz do rio Itaúnas até Mucuri são mais de sessenta
famílias sobrevivendo da pesca no mar e nos rios", relata.
Na Vila de Itaúnas, a Associação de Pescadores acredita que pelo menos
20 homens vivem exclusivamente da pesca, enquanto mais de sessenta dividem
a prática com pequenas atividades ligadas ao turismo, como o aluguel de
suas casas ou prestações de serviços ao comércio. A bravura destes
pescadores foi reconhecida até mesmo pela Marinha, segundo conta Ângelo
Camillo, seu Caboquinho, membro da Associação. "O pessoal da
Marinha esteve aqui na década de 80, quando eles estavam tirando da costa
do Estado todas as pequenas embarcações. Mas aqui eles falaram que não
íam mexer porque já era costume muito antigo dos pescadores entrar no
mar de canoa", recorda o pescador.
O que mais preocupa os pescadores da região é a prática ilegal do
arrasto por barcos grandes. "Eles levam tudo de uma vez, filhote,
tartaruga, camarão... Tem peixe cada vez mais difícil de
encontrar", conta o pescador Manoel dos Santos, Manoelzinho. A
abundância narrada pelos mais antigos vem se tornando lenda. "A
gente tirava 30, 40 quilos de pescadinha da rede", lembra Caboquinho.
Para Manoelzinho, nem mesmo as tintureiras (espécie de tubarão) do
Verão passado visitaram a praia, mas mesmo em menor quantidade, não
faltou robalo nas moquecas de Itaúnas.
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