Guia Itaúnas

Vida Real

 


Humberto, carpinteiro, vive o reinado de Congo

 



Tempero é Rei de Bamba, mas já ocupou outros papéis na brincadeira

É destino de toda a realeza conduzir seu povo ao caminho da ordem e da devoção e, para o exercício deste legado, há que se realizar um árduo trabalho cotidiano para ter o que festejar quando a hora é chegada. No universo mítico do Ticumbi de Itaúnas, os reis de Congo e de Bamba disputam a honra de louvar a São Benedito com um Baile de Congo magistral, mas o reinado destes soberanos é marcado pelo outro lado da vida de Rei.
Carpinteiro, 58 anos, Humberto Batista do Nascimento é Rei de Congo no Ticumbi de Itaúnas. Mora no Sítio Angelim e brinca desde 1977. "Eu era o primeiro congo", lembra. O ofício veio do "berço de pai" e com ele nossa majestade vai deixando telhados, portas, janelas e barracas de praia na história de Itaúnas. Viúvo, cria seus filhos - quase todos adultos já - em meio à comunidade do Angelim, com o apoio das irmãs Zirinha e Dentina. Toca sua roça de aipim e produz farinha, como é da tradição negra. Presidiu a Igreja católica por oito anos, coordenou a Liturgia e nasceu num dia 05 de abril: "Uma Quinta-Feira Maior, como disse minha mãe", explica.
'Tempero' carrega a espada de Bamba. Seu nome: Argemiro Gomes da Conceição. 50 anos de idade e 31 de brincadeira. "Lá do tempo de Pedro Bongado", garante. "Entrei como Rei de Congo porque acompanhava meu pai (Adolfo Gomes), que não brincava, mas tocava sanfona no forró, após o Baile de Congo. Meus primos todos brincavam e eu cresci no meio dessa brincadeira", conta o Rei de Bamba. Tempero assegura que no Ticumbi já foi de tudo: secretário dos dois reis, foi congo e recebeu tanto a coroa de Congo quanto a de Bamba - coroa que ele mesmo confecciona, diga-se de passagem. Hoje, seu sustento vem da borracharia que montou, mas ele é também pescador. Em seus sonhos reais, projeta trocar sua casa por uma terra no assentamento Valdício Barbosa, criar cavalo, porco e galinha, brincar novamente no Ticumbi de mestre Terto e, é claro, não deixar o grupo de Itaúnas jamais.


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